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Mulheres em campo

in Artigos, Duquima, Homenagem

Obter do campo os insumos que sustentam o mundo não é fácil, nem é tarefa exclusiva dos homens. Nos últimos anos, o número de mulheres no agronegócio vem aumentando gradativamente.

Segundo dados da ONU, as mulheres representam 45% da força de trabalho na agricultura. A América Latina conta com um número menos expressivo — 20%, mas, no Brasil, ele vem aumentando: as mulheres correspondem a 30% dos trabalhadores no campo.

No grupo de mulheres no campo, 12% já são supervisoras, 18% são gerentes, 24% funcionárias e 44% sócias proprietárias. Uma pesquisa mostra que elas trabalham de 12 a 13 horas a mais do que os homens, conquistando com coragem um merecido espaço no setor.

A participação feminina em cargos de gestão, como se pode notar, é uma crescente. Ao longo dos anos, as mulheres vão se tornando mais participativas e engajadas, assumindo funções que até então eram praticamente exclusivas dos homens do campo.

A estatística comprova que as mulheres estão cada vez mais inseridas nas atividades, cuidando de diversas atividades da cadeia produtiva dos animais, inclusive na parte de melhoramento genético.

Um estudo do CEPEA apontou que questões “culturais” afetam a contratação de mulheres no agronegócio e que muitas vezes a mão de obra feminina é baixa até por uma baixa oferta de força de trabalho, mesmo, principalmente onde há proximidade com centros urbanos e elas podem procurar atividades industriais ou de serviços.

Dados do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego (MET) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) demonstram que o agronegócio é um setor tradicionalmente masculino e que, apesar de evoluções positivas, com mais abertura para mulheres, há algumas questões que demandam melhorias.

A participação feminina ainda é baixa nos níveis hierárquicos mais altos.

Em 2015, na administração de propriedades agropecuárias, o número era de 15% e, a cada 10 dirigentes, apenas 3 eram mulheres. Em 2017, o número já era de 31%.

Esse avanço feminino em cargos de gerência se deve à facilidade das mulheres de absorver novas tecnologias — uma necessidade dos agricultores e pecuaristas que decidem sobreviver em um mercado a cada dia mais competitivo — e ao fato de uma imensa parcela possuir curso superior e ainda encarar a lida no campo como carreira.

Cada vez mais, o que as pesquisas mostram é que as mulheres estão rompendo barreiras do preconceito e dos estereótipos, ocupando mais espaço.

Não há limite para que o que nós, como mulheres, podemos alcançar.

Michelle Obama ,

Basta um olhar mais atento ao setor do agronegócio para perceber que estão sendo divulgados diversos eventos voltados ao público feminino, o que sinaliza que estamos diante de mudanças significativas.

O número de mulheres no agronegócio aumentou, assim como em cursos de Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia, que apresentam mais de 50% de mulheres no corpo discente.

Não podemos nos precipitar e dizer que as mulheres já conquistaram suas posições nesses espaços. A realidade é que a luta contra a cultura masculina dominante é diária.

As conquistas femininas, nesse contexto, são obtidas com muita luta, em cargos muitas vezes menores e jornadas muito mais longas. O caminho para a equidade é difícil, mas possível.